31 janeiro 2006

197) Inflação e abertura comercial: evidências empíricas

Livre comércio sempre reduz inflação, diz estudo
Daniel Rittner, do jornal Valor Econômico (30.01.2006)

"O processo de abertura comercial, com aumento das importações na economia, ajuda a reduzir os níveis de inflação em qualquer circunstância. Tal relação não está restrita a um conjunto de países, nem a período específico de tempo, sendo uma regra que confirma a impressão da maioria dos economistas.
Essa é a conclusão de dois pesquisadores, Adolfo Sachsida e Mário Jorge Cardoso de Mendonça, em novo estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Por mais que essa percepção seja amplamente aceita nos livros-texto e pelos especialistas, o estudo traz uma novidade: baseados em modelos econométricos que receberam dados estatísticos de 152 países, entre 1950 e 1992, os autores tentam desmontar algumas teorias recentes que restringiam a correlação entre abertura comercial e queda da inflação.
Usando a metodologia de dados em painel, cuja vantagem é a possibilidade de testar com mais precisão hipóteses sugeridas anteriormente por outros pesquisadores, Sachsida e Mendonça combatem a visão de antigos defensores da tese de que a abertura às importações só ajuda a reduzir os níveis inflacionários em países severamente endividados, mas tem efeito praticamente nulo em países sem dívidas e com um banco central independente ou de alto grau de credibilidade.
Outros pesquisadores admitem correlação entre abertura comercial e queda da inflação mais forte nos anos 70 e 80, mas dizem que ela diminuiu gradualmente ao longo dos anos 90. "Países que experimentaram um aumento da abertura também observaram uma redução em seus níveis de inflação", concluem os economistas do Ipea, rejeitando distinções.
Eles testaram os dados, por exemplo, em países divididos em três categorias: altamente endividados, moderadamente endividados e sem grandes dívidas, no período entre 1973 e 1990. Estudos anteriores, feitos com metodologias diferentes, demonstraram que os efeitos da abertura sobre a inflação foram mais concentrados em países severamente endividados e, particularmente, depois de 1982, período que coincide com a crise da dívida.
Sachsida e Mendonça alegam ter comprovado, por meio de modelos econométricos, que não há diferenciação. Também argumentam, a partir de comparações entre dados de vários continentes, que a relação entre abertura comercial e queda de inflação independe de regiões geográficas."

Post scriptum PRA:
Fazendo o trabalho completo, o que nem sempre é o caso dos jornalistas, dou aqui o nome e o link para ler esse trabalho do IPEA:
Adolfo Sachsida e Mário Jorge Cardoso de Mendonça:
INFLATION AND TRADE OPENNESS REVISED: AN ANALYSIS USING PANEL DATA
TEXTO PARA DISCUSSÃO N° 1148
Rio de Janeiro, janeiro de 2006

Trecho da conclusão:
"In a summarized way, this study strengthens the results which Romer (1993 and 1998) presented, showing that a negative relationship between openness and inflation exists. Moreover, it was showed that such a relationship is not specific to any group
of countries nor specific to a determined period of time. Thus, countries that experienced an increase of openness also observed a reduction in their levels of inflation."
Os textos citados de D. Romer são os seguintes:
ROMER, D. Openness and inflation: theory and evidence. Quarterly Journal of Economics, v. 108, n. 4, p. 869-903, Nov. 1993.
—————. A new assessment of openness and inflation: reply. Quarterly Journal of
Economics, p. 649-52, May 1998.
Link para o texto:
http://www.ipea.gov.br/pub/td/2006/td_1148.pdf

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