19 fevereiro 2006

226) Caçadores de cabeças, afiai vossas cimitarras...


Sim, os candidatos precisarão de uma cimitarra ou algum instrumento equivalente, pois se trata, nada mais, nada menos, do que trazer a cabeça do chargista dinamarquês numa bandeja, seja para esse ministro provincial indiano (de afiliação religiosa islâmica), seja para o outro clérigo paquistanês. Assim, mesmo que a execução do indigitado desenhista se dê por armas mais modernas (ocidentais, supostamente), o caçador de cabeças eventual terá de operar uma decapitação efetiva, como nos desenhos alegóricos que algumas das vitimas poderiam hipoteticamente fazer.

Nada mais natural para certos indignados defensores da fé do que pedir a cabeça do blasfemo desenhista. Seria risível se não fosse trágico para o pobre do artista...

O próximo passo, presumivelmente, seria a divulgação, por alguma autoridade religiosa devidamente legítima, de uma fatwa, ou seja, um decreto religioso visando ao mesmo objetivo, a eliminação do ímpio chargista. Neste caso, qualquer muçulmano, em qualquer lugar do planeta, está qualificado para cumprir a sentença religiosa, tendo o benefício de alguma retribuição no paraíso (apenas não tenho certeza se com direito a sete virgens, como aplicado no caso dos mártires da causa, os homens-bomba, que corriam aliás o risco da penúria de virgens, segundo um outro chargista).

O mais incrível é que o governo iraniano, ainda na segunda semana de fevereiro de 2006, informava, o mais oficialmente do mundo e em resposta a novas demandas européias, que não podia levantar o decreto expedido pelo iman Khomeiny, em 1989, contra o escritor indiano-britânico Salman Rushdie, porque a fatwa valia para toda a eternidade (ou pelo menos até o cumprimento da "sentença").


Indiano oferece recompensa para quem matar chargista

Agência EFE, 18 de fevereiro de 2006 - 10:55

Nova Délhi - Um ministro regional do estado indiano de Uttar Pradesh, no norte do país, ofereceu hoje uma recompensa de 510 milhões de rúpias (mais de US$ 11 milhões) e seu peso em ouro a quem decapitar o desenhista das charges "blasfemas" do profeta Maomé. O ministro do Bem-estar das Minorias, o muçulmano Haji Yaqoob Qureshi, fez esta declaração em reunião pública realizada hoje na cidade de Meerut, em Uttar Pradesh, em protesto pelas charges publicadas no jornal dinamarquês "Jyllands-Posten".

"Qualquer pessoa que corte a cabeça do chargista da Dinamarca que se atreveu a fazer uma caricatura de Maomé e a traga, será recompensado com 510 milhões de rúpias em dinheiro e o equivalente a seu peso em ouro", afirmou Qureshi.

Durante o ato os manifestantes queimaram uma escultura com a imagem do chargista e exigiram que a Índia corte suas relações diplomáticas com a Dinamarca.

Vários grupos políticos do estado pediram a demissão do ministro, reivindicaram que se tomem medidas legais por incitar as massas ao assassinato e solicitaram explicações ao chefe do governo regional, Mulayam Singh Yadav.

No entanto, o secretário de Uttar Pradesh, Alok Sinha, indicou que não perseguirá legalmente Qureshi já que, segundo ele, o anúncio se refere a uma pessoa de um país muito distante e em uma democracia estas questões não podem ser qualificadas como uma violação da lei.

Ontem, um clérigo paquistanês também ofereceu uma recompensa de até US$ 41 mil e um carro novo pela cabeça do desenhista.

O clérigo islâmico Mohammed Yousaf Qureshi, anunciou durante o sermão de sexta-feira que "quem matar o chargista receberá como recompensa 1 milhão de rúpias da associação do mercado de joalheiros, 1 milhão de rúpias da mesquita Mohabat Khan e 500 mil rúpias e um carro da Jamia Ashtrafia (instituição educativa dirigida por Yousaf Qureshi)".

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